quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O quinto dos infernos



Recebi o texto abaixo e quero compartilhar com vocês:

Durante o século 18, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de “o quinto”. Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro. O “quinto” era tão odiado pelos brasileiros, que foi apelidado de “o quinto dos infernos”.

A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os quintos atrasados de uma única vez, no episódio conhecido como “derrama”. Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano de 2009 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente “dois quintos dos infernos” de impostos. Para quê?

Para sustentar a corrupção, o PAC, o mensalão, o Senado com sua legião de “diretores”, a festa das passagens, o bacanal (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar no executivo, os saques “secretos” com cartões corporativos. Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do “quinto dos infernos” para sustentar uma corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa.
Não sei quem é o autor e, como costumo fazer, fui checar as informações. Na Wikipedia descobri duas coisas:
  1. O quinto era a retenção de 20% do ouro levado às Casas de Fundição, não de tudo que fosse produzido.
  2. Entranhados ao poder político, os chamados “homens-bons” (que provavelmente nada tinham de bons), eram quase-sócios do Estado e conseguiram sempre empurrar com a barriga e adiar as derramas.
Comparando com os dias atuais:
  • Os “homens bons” de hoje muitas vezes conseguem sonegar parte dos impostos (e não os culpo: é isso ou a falência). Já os trabalhadores não podem fugir do IRRF, por exemplo. E ninguém, “homens bons” ou não, consegue escapar do IPI, do PIS, do COFINS, etc.
  • Os 38% atuais não são cobrados somente sobre o ouro. Ao contrário, esse número significa que o valor da arrecadação corresponde a 38% do PIB, ou seja, de tudo que se produz.
Até quando vamos - eu e você, leitor - continuar sustentando essa corte brasileira, exploradora dos plebeus?

Pra ler ouvindo (e refletindo): “Inútil”, do Ultraje a Rigor - Música e Letra

sábado, 4 de julho de 2009

Amor sem palavras

Jazz,

o amor é ainda melhor quando é sentido sem que precisemos de palavras.
(Ou pelo menos quando só precisamos de poucas palavras.)

Enjoy The Silence
Depeche Mode
Composição: Martin L.Gore

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me

Can't you understand
Oh my little girl

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very
Unnecessary
They can only do harm


Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial

Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable


All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very
Unnecessary
They can only do harm

Enjoy the silence...
Música aqui. Sim, já havia falado dessa música aqui.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Atirei o pau no gato

Eu realmente não sei quantos leitores tenho, mas algum deve estar de mal com a vida.

No dia 15 de maio deste ano, recebi um aviso para apagar a música Numb, do U2. Hoje recebi o mesmo aviso, desta vez para o arquivo de Peace and Love, Inc. do Information Society.

Eu entendo que haja interesses comerciais contra o compartilhamento de MP3. Mas acho o raciocínio errado. Eu não vou comprar um CD por um preço absurdo, nem vou comprar CD pirata na rua de qualidade duvidosa. (Como diz um amigo meu: “CD pirata é crime, CD oficial é um roubo. Compartilhe!” Além disso, não estou compartilhando CDs ou filmes, mas APENAS músicas isoladas.

Quando eu ouço uma música ou duas de um artista, não vou comprar um CD que custa 5% do meu salário! Não assim, na doida, de cara... Eu procuro baixar na Internet pra ouvir o resto. Se gostar, encomendo o CD e pago o valor (ou peço de presente de aniversário, como foi a Ivete no Maracanã). E na maioria das vezes, quando não gosto, termino apagando as músicas que baixei (foi assim com o Evanescence, por exemplo).

No fim das contas, ou deixo de comprar um CD que jamais compraria, ou compro um CD que tinha dúvidas em comprar. O saldo final é que eles vendem mais CDs quando eu baixo músicas na Internet.

Há ainda dois casos: CDs que não encontro no mercado nacional (e às vezes nem importando) e CDs que já encomendei mas estou louco pra ouvir. Tem pra vender o “Peace and Love” do Information? Onde? O que dá no mesmo que os casos anteriores: ou deixo de comprar um CD que não tem pra vender e não podia ser vendido (meio óbvio, não?) ou então baixo um CD que já tenho.

Eu prefiro um CD original, com existência material concreta (encarte, letras, fotos). Sou da época do LP, gosto de ver as capas, folhear os encartes como quem lê um livro. (Se me acha maluco, leia essa reportagem da Veja). Sempre que gosto, compro. Mas não compro sem saber se vou gostar.

Assim como Charles Gavin (baterista dos Titãs), lamento que o MP3 (e até mesmo o CD) perca muitas informações importantes, como a capa do álbum (no LP parecia um pôster!) e sua ficha técnica. E, assim como ele diz nesta reportagem da Época, tenho os CDs originais em casa, levo o MP3 no iPod pra ouvir onde quero e ainda compro LPs de vez em quando!

Manter um blog não é fácil. Mesmo em períodos corridos tento mantê-lo ativo, colocando um post, ainda que mínimo (curiosamente, Numb estava em um desses). Se não puder compartilhar o arquivo da música, o blog perde o sentido de existir e vira só trabalho.

Eu imagino se algum leitor do blog leu o texto e gostou do texto, ouvindo a música e então comprando o CD. De alguma forma, o arquivo disponível para download teria influenciado a compra. O que eu não consigo imaginar é que alguém vá entrar no blog pra pegar uma única música de um CD que não faz muito sucesso, em seguida outra e mais outra, depois gravar uma coletânea, tirar 5 mil cópias e vender nas bancas de camelô. Ele não vai ter esse trabalho... Vai preferir gravar os lixos que tocam nas FMs - mais fáceis de arranjar as cópias e muito mais fáceis de vender!

De qualquer forma, atiraram o pau no gato (que pesca). E ele sentiu o golpe...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Não vá embora

Podia falar mil coisas agora, mas isso basta.
Não Vá Embora
Marisa Monte
(letra de Arnaldo Antunes e Marisa Monte)

E no meio de tanta gente eu encontrei você
Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio
E eu que pensava que não ia me apaixonar
Nunca mais na vida

Eu podia ficar feio só perdido
Mas com você eu fico muito mais bonito
Mais esperto
E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo

(Refrão):
Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais

Eu podia estar sofrendo caído por aí
Mas com você eu fico muito mais feliz
Mais desperto
Eu podia estar agora sem você
Mas eu não quero, não quero

(Refrão):
Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais (2x)

E eu que pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida...

Música aqui, letra aí em cima.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Entre o Céu e Las Vegas

NECESSITAVA pensar melhor, refletir sobre o que esperar de mim e do mundo. Sem maiores explicações, abdico da luz natural, do brilho e da brisa praianas.

Em meio à escuridão, surpreendentemente enxerguei melhor. A percepção de olhos e mente tão cansados, sujeitos à distorção e à palidez do quotidiano, renovou-se.

Decidido, abraço a noite e uma vez mais, volto às ruas da metrópole. Luzes artificiais, o bom e velho «neon» lampeja a cada descarga elétrica. Extravagância e sobriedade a caminhar, lado a lado, de mãos dadas.

Em tal contraste, vejo toda a beleza de ser o que se é. Distinto vagabundo, atiro-me, sem mais delongas. E ao longe, velhos medos e temores a esvaem-se, perdidos, na calada da madrugada.

Esta noite reserva-me todos os prazeres e pecados do mundo. Lamentar depois ou desfrutar agora? Paz em inércia estática ou guerra em equilíbrio dinâmico? Heaven or Las Vegas?

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Finalmente chegou o dia de escrever acerca de uma canção dos Cocteau Twins!

Deixe-se levar pela inconfundível voz de Liz Fraser, viaje por suas melodiosas guitarras, inquiete-se com suas enigmáticas (e quase sempre incompreensíveis) letras.

Considerado por muitos como um dos principais trabalhos desta grande banda escocesa, ouça «Heaven or Las Vegas?», do homônimo álbum de 1990.

Forte abraço a todos!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Céu de baunilha

Hoje o céu tem uma cor de baunilha, ainda que esteja azul. Parece loucura, eu sei, e talvez seja mesmo... Não dá pra explicar (mas se você assistiu Vanilla Sky conhece a sensação).

Acho que aconteceu quando atravessamos o vórtice. O ponto a partir do qual não há retorno. Ou talvez tenha sido algo menos fantástico. Como assinar um um contrato. Deve ter sido, mas não me recordo. Era pra ser assim.

Tudo o que havia foi deixado pra trás. A vida... Mas o que é a vida? A vida é o que eu vejo e pouco me importa se sou uma pilha alcalina sustentando máquinas. Morpheus que procure outro. Minha Trinity é mais bela.

Este é um mundo que entendo e faço do meu modo. Um mundo cujas regras de funcionamento entendo e onde posso realizar meus sonhos. Graças à Peace And Love, Inc.

Música (retirada) - Letra - Tradução

(Atualização em 25 de junho de 2009: alguém, sem “peace and love”, mandou apagar o arquivo de áudio).

segunda-feira, 9 de março de 2009

Amanhã



Gasto muito tempo e muita energia tentando adivinhar o futuro, mesmo sabendo que o futuro é feito minuto a minuto e não pode ser inteiramente previsto.

Talvez aí esteja o motivo da minha insônia. Ao deitar, tento antecipar como será o dia seguinte. O que acontecerá comigo, como essa ou aquela pessoa vai reagir, quais desafios se apresentarão, o que vai ocorrer para quebrar a minha rotina monótona.

Eu até gosto da rotina, com sua segurança costumeira, sem sobressaltos, sem surpresas desagradáveis. E então fico num sentimento antagônico de gostar da rotina ao mesmo tempo em que quero vê-la quebrada por algum acontecimento mágico.

Enquanto viro na cama de um lado para outro, tento antecipar o que vai acontecer (e geralmente não acontece nada). Quando sei que algo vai acontecer, digamos, às 4 da tarde, desde a madrugada anterior fico ansioso. Como a raposa do Pequeno Príncipe, mas sem a mesma alegria.

Depois de muito tempo, durmo. Pra logo ser acordado pelo despertador. Tentar adivinhar o futuro é inútil. Amanhã acontecerá igualzinho a hoje.

Tomorrow, do Information Society
Música - Letra - Tradução